INTERFERÊNCIAS MEDIATAS OU RACIOCÍNIOS - LÓGICA 2

Tradicionalmente, as inferências mediatas ou raciocínios dividem-se em três grupos: os dedutivos, os indutivos e raciocínios por analogia ou, simplesmente analógicos.


A analogia

Fundamentalmente a analogia consiste num raciocínio que, partindo de dadas semelhanças observadas, infere outras semelhanças não visíveis.

Analogia é um tipo de raciocínio muito vulgar a nível do senso comum, ocorrendo também a nível científico, concretamente no campo da biologia, em que o investigador conclui, da presença efectiva de alguns caracteres, a presença de outros caracteres a que não poderia chegar por outro processo. A antropologia e a paleontologia servem-se também deste tipo de raciocínio que possibilita.

Concluído a partir de semelhanças, nada obsta a que existam diferenças que levariam a resultados diferentes. Por isso, as conclusões a que chega são mais ou menos prováveis, não tendo a segurança das que se extraem por via dedutiva.

Partindo do particular para o particular, analogia distingue-se da dedução, em que o pensamento caminha do geral para o particular, e da indução em que se procede do particular para o geral. Para que os resultados da analogia ganhem credibilidade há que respeitar três regras fundamentais, a saber:

1.      Os elementos de comparação devem ser reais e relevantes e não forçados ou imaginários.

2.      Em princípio, quanto mais termos de comparação houver mais validade terá a analogia.

3.      Não devem existir divergências fundamentais nos elementos a comparar



A indução

No nosso quotidiano é frequente ouvir dizer, “os bitongas são avarentos”, “o galo canta”. No campo da ciência ouvimos dizer, de igual modo, “os metais são bons condutores de calor e electricidade”, “os corpos são dilatados pelo calor”. Ao proceder deste modo, afirmam-se predicados de todos e de cada um dos elementos pertencentes à classe de seres designados pelo termo sujeito. Mas será que já se observou todos os bitongas, todos os galos? E os físicos, também afirmam o que observaram em todos os metais e corpos?

Não é possível fazerem-se tais observações. Pensemos em metais e que só serão descobertos num futuro e em corpos ainda em estado o devir.

A indução é este modo de raciocinar que se caracteriza por formulação de enunciados gerais a partir da observação de um número particular de casos.

Os enunciados científicos são gerais, isto é, são válidos para todos e cada um dos elementos de uma classe considerada. Contudo, eles são inferidos como base na observação empírica de apenas alguns casos. Que legitimidade lógica há no processo de generalização ou indução? Em nome de que princípio se passa de premissas particulares tradutoras da observação de alguns casos para leis ou enunciados gerais que se aplicam a todos os casos quer observados, quer não observados?

Este é um dos problemas da filosofia desde que, no século XVIII, David Hume o levantou. Sobre ele muitos se têm pronunciado, sem que tenham chegado a uma solução definitiva.

Houve quem invocasse para fundamento da indução o princípio da uniformidade da natureza.

Porque a natureza se comporta sempre do mesmo modo, pode transitar-se de alguns para todos.

A partir do que aconteceu no passado, poder-se-ia determinar o que há-de acontecer no futuro. Porém, o que é que garante que a natureza é regular? Com base no que se tem observado? Porque até agora foi assim, será sempre assim? O problema continua insolúvel e Bertrand Russell considera que a invocação do princípio da uniformidade da natureza, para fundamentar a indução, não passa de uma incorreção lógica – petição de princípio.

Contudo, a insolubilidade do problema do fundamento da indução não constitui impedimento a que as ciências empíricas se sirvam de procedimentos indutivos.

A dedução

A dedução pode ser vista, num determinado aspecto, como a operação inversa da indução. Enquanto esta ascendia do particular para o geral, aquela faz o percurso inverso, descendo do geral para o particular. Todavia, esta caracterização peca por deixar de lado aspectos fundamentais da dedução. O ponto de partida natural da indução é a experiência, particular e contingente, a partir da qual se procura atingir uma compreensão intelectual de carácter geral. Na dedução a experiência não desempenha papel algum: chega-se a uma conclusão, mas essa conclusão deriva única e exclusivamente das premissas de que se partiu, é uma consequência necessária dessas premissas, podendo ser de um grau de generalidade lógico igual ou superior às mesmas, como acontece na dedução matemática. Mais propriamente poderíamos, então, definir a dedução como a "inferência na qual, postas certas coisas, outra diferente se lhes segue necessariamente, só pelo facto de serem postas".

Vejamos o exemplo:

Os carbonos são condutores eléctricos.

Os carbonos são corpos simples.

Logo alguns corpos simples são condutores eléctricos.

O que acontece aqui é que, se aceitarmos a verdade das premissas, somos obrigados a aceitar a verdade da conclusão, sob pena de entrarmos em contradição. Por isso a dedução possui um grau de rigor absoluto, enquanto que a analogia e a indução, como vimos anteriormente, estão sempre sujeitas a certa margem de erro.



Conclusão

Existem três tipos de inferências mediatas ou raciocínios que são: analogia, indução e dedução;

Enquanto a analogia é um processo mediante o qual a mente humana conclui certas qualidades dos entes partindo da comparação de semelhanças, a indução é um outro processo no qual a mente concluir alguma coisa de forma generalizada a partir da constatação de certos casos ou fenómenos isolados, ou seja, da observação dos factos à formulação de uma lei geral, a dedução, parte do geral ao particular, ou seja, da lei à sua aplicação.

Para que a analogia seja perfeita ou seja muito próxima da verdade, cumpre que os elementos a comparar sejam reais e não fictícios, deve-se evitar que hajam grandes divergências entre os elementos comparados e quanto mais elementos a comparar, melhor muito mais próxima da verdade será a analogia.

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