ACÇÃO HUMANA E VALORES
O Homem pratica dois tipos de actos: os que são comuns a outros animais e os que só ele próprio realiza.
No primeiro caso, temos, entre outros, os chamados actos instintivos, e No segundo, a actividade instintiva é secundarizada a favor da actividade reflexiva, especifica dos seres humanos.
Dada a diversidade das acções que o Homem pratica, é natural que a palavra “accao" tenha muitos significados. Importa diferenciar dois tipos de acções: as involuntárias e as voluntárias:
Actos voluntários e actos involuntários
Acções involuntárias (ou actos do Homem)
São acções que na o implicaram qualquer intenção da parte do sujeito. São acontecimentos em que nos limitamos a ser meros receptores de efeitos que não provocamos. Há actos que realizamos por um mero reflexo instintivo, fazemo-los sem pensar. São exemplos destes actos mastigar, ressonar, esticar o braço em autodefesa, envelhecer, gritar de Susto, etc.
Acções voluntárias (ou actos humanos) As acções humanas implicam uma intenção deliberada de um agente, de agir de determinado modo e não doutro. Estas acções são refletidas, estudadas, premeditadas ou até prospectadas a longo prazo, tendo em vista atingir determinados objectivos.
Aplicamos o termo "accao" apenas aqueles actos que realizamos de forma consciente (racional), voluntaria e responsável, por isso, toda a acção humana implica, necessariamente, os seguintes elementos:
· Agente - um sujeito que é capaz de se reconhecer como autor da acção e que age com consciência e ter responsabilidade pela mesma e livre-arbítrio ou vontade, ou seja, que é capaz de optar e tomar decisões livremente.
· Motivo - a razão que justifica a acção; o que nos leva a agir ou fazer algo. Por isso, quando perguntamos “Porque fizeste ou vais fazer isto ou aquilo?", procuramos encontrar a razão que justifica a acção.
· Intenção A intenção implica um agente consciente, pois a intenção consiste naquilo que o agente quer realizar.
· Fim o fim da acção é a possessão daquilo para que se quer a acção voluntária. A finalidade da acção difere do fim da acção, Pois corresponde a uma orientação para o fim da acção.
Depois da caracterização dos actos humanos, uma questão emerge: fazer e agir, são conceitos que exprimem significados diferentes, enquanto A acção do sujeito em torno de objectos ou no decorrer da execução de uma técnica chama-se Fazer, o conceito agir aplica-se a todas as outras acções intencionais que realizamos livremente e em que somos capazes de identificar facilmente os motivos por que fazemos o que fazemos.
Exercícios
1. Estabeleça a diferença entre acção humana da acção do Homem.
2. Que condições são necessárias para existência de um acto humano?
Da accao aos valores
Noção de Valor
Em toda a acção humana, o ser humano exprime o modo como se relaciona com o mundo do, podendo preferir ou preterir algo. A acção humana está estritamente ligada aos valores, explicita ou implicitamente. Os valores dão ao sujeito o motivo para agir.
Por exemplo: parar quando o semáforo está vermelho exprime um valor nobre: o civismo, quando damos esmola, também lá está um valor muito nobre: a solidariedade.
Mas o que são os valores? O que a um juízo de valor? E o que distingue um juízo de facto de um juízo de valor?
Os valores são critérios segundo os quais damos ou não importância As coisas, os valores são as razoes que justificarn ou motivam as nossas acções, Tornando-as preferíveis a outras.
Um juízo de facto é um juízo em que se descreve a realidade de uma forma objectiva, neutra e impessoal. Estes podem ser verdadeiros ou falsos: Ex: “Quelimane é cidade Capital da Zambêzia” Walker é Branco.
Um juízo de valor é urna manifestação de preferência e apreciação sobre a realidade e é fruto de uma interpretação parcial e subjectiva feita com base em valores. Os juízos de valor são relativos, Pois variarn de pessoa para pessoa, e por isso, estão sujeitos a discussão. Ex: Agnélio é o jovem mais bonito da turma B/A.
É no contexto do juízo de valor que podemos enquadrar a análise da acção humana, pois o juízo de valor é já o resultado do que designamos por valores.
Tipos de valores
Os valores na o são coisas, nem simples ideias que adquirimos, mas conceitos que traduzem as nossas preferências. São importares para o agir humano na medida em que constituem os critérios e padrões que orientam a acção e lhe dão sentido. Existem uma enorme diversidade de valores, que podemos agrupar cm espirituais e materiais:
1. valores espirituais:
· Valores religiosos - aqueles que dizem respeito a religião do Homem com a transcendência (o sagrado ou divino, pureza, santidade, perfeição, castidade, etc.);
· Valores estéticos - os valores de expressão (beleza, harmonia, graciosidade, elegância, feio, sublime, trágico, etc.);
· Valores Éticos - aqueles que se referem As normas ou critérios de conduta que afectam todas as áreas da nossa actividade (lealdade, verdade, solidariedade, honestidade, bem, bondade, altruísmo, amizade, liberdade, etc.);
· Valores políticos - aqueles que dizem respeito ao Homer na sua qualidade de cidadão (justiça, igualdade, imparcialidade, cidadania, liberdade de expressão ou de associação ou de culto, etc.).
2. Valores materiais ou sensíveis
· Valores do agradável e do prazer - aqueles que exprimem as sensações de prazer e de satisfação, assim como as suas fontes (comida, bebida, vestuário, etc.,);
· Valores vitais - aqueles que se referem ao estado físico (saúde, força, resistência física, vigor e robustez, êxito, felicidade, amor, etc.);
· Valores de utilidade ou econômicos - aqueles que se referem habitação, dinheiro, meios de comunicação, electrodornésticos, vestuário, alimentos, automóveis, máquinas, etc.
Apesar da diversidade de valores, estes apresentam porém características comuns a todos os tipos, grupos e situações:
· Bipolaridade dos valores - os valores apresentam-se sempre em pares opostos, numa polaridade negativo/positivo; belo/feio; útil/inútil, e outros mais.
· Hierarquia dos valores - os valores encontram-se sempre Dispostos norma hierarquia que implica a superioridade e prioridade de uns sobre outros; cada pessoa, grupo, cultura ou comunidade possui a sua própria hierarquia ou tábua de valores.
· Historicidade dos valores: a seleção, a hierarquização e o próprio conteúdo dos valores sofrem condicionalismos e influência da época em que são enunciados.
A subjectividade (ou relatividade) e a objectividade dos valores
Existem duas posições que surgem sobre a discussão em torno da natureza dos valores. Para alguns autores, os valores têm duas vertentes: subjectiva e objectiva; para outros, Os valores são só objectivos, ou, ainda para outros, são apenas subjectivos.
Para os defensores da subjectividade, os valores nunca deixam de ser subjectivos, tanto mais que designam um padrão comportamental do que alguém atribui importância ou relevo. Esta concepção assenta na constatação empírica de que, ao longo dos tempos, os valores estão sempre a mudar.
Os defensores da vertente objectiva advogam que os valores designam padrões de comportamento coletivamente reconhecidos e adaptados por um grupo, comunidade mais ou menos vasta e que, como tal, estes valores são considerados absolutos e inquestionáveis. Esta é a posição defendida pela maioria das religiões que, apoiadas na bíblia, no Alcorão, e em outros textos sagrados.
A mesma posição foi defendida por Platão ao considerar o bem, o belo e o justo, entidades ideais, imutáveis e incondicionadas.
Por oposição, Jean Paul Sartre (famoso filósofo Francês do século XX), ao defender a libcrdade Anuncia que cabe ao homem inventar os seus próprios valores. Muitos autores e instituições actuais defendem, por sua vez, que todo o conjunto de valores, o acto de valorar incorporam critérios objectivos e subjectivos, pois, a certos valores, em cada época ou cultura, é atribuído o carácter de absolutos e inquestionáveis, ou seja, aqueles que não podem deixar de ser obedecidos e seguidos (a Declaração dos Direitos do Homem defende que a liberdade, a igualdade, a paz e a solidariedade são direitos e valores universais e absolutos), em detrimento de outros que são considerados mais relativos e menos "obrigatórios".

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