PROBLEMAS E CORRENTES FILOSOFICAS DA TEORIA DO CONHECIMENTO
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O Debate sobre a (im)possibilidade do conhecimento
Para debate do tema colocado as questões fundamentais que se colocam são:
· Pode o sujeito apreender o objecto? Pode atingir a verdade, a essência das coisas, ou está condenado as suas múltiplas aparências? Para estas questões surgem varias correntes para dar respostas filosóficas a este problema.
Dogmatismo
De Acordo com entende-se por Dogmatismo (do grego dógma, verdade indiscutível), defendida, muitas vezes pelas, religiões. Por exemplo, é dogma entre os cristãos católicos, e protestantes que Maria de a luz ao menino Jesus, porém permaneceu virgem. Para esta corrente a possibilidade e a realidade do contacto entre o sujeito e o objecto são puras e simplesmente pressupostas. É auto-evidente que o sujeito apreende o seu objecto, que a consciência cognoscente apreende aquilo que está diante dela.
O dogmatismo é uma corrente ou doutrina filosófica que admite com plena certeza a possibilidade de conhecer as coisas; é actitude de todo aquele que crê que o Homem tem meios para atingir a verdade absoluta. Para esta corrente existem critérios que permitem ao homem distinguir o verdadeiro do falso, o certo do duvidoso. De certa forma podemos considerar o dogmatismo como atitude habitual do homem comum. Esta atitude é própria do senso comum, visto que este toma o conhecimento vulgar e banal, superficial e crítico, a existência do objecto em si, como algo real é inquestionável. Sendo atitude de homem ingénuo o dogmatismo, do ponto de vista histórico é um dos mais antigos pontos de vista no inicio da filosofia grega, predominou na sua generalidade, pelos (Pitagoricos, jónicos, eleatas e Heráclito de Éfeso) Por isso nem todos dogmáticos tem o mesmo ponto de vista: Uns são rigorosos nas suas posições e outros são moderados, assim podemos falar de dois tipos de dogmatismo: Espontâneo e Critico.
a) Dogmatismo espontâneo
Este pressupõem que o homem conhece os objectos tal qual são e que entre o conhecimento e a realidade há um perfeito acordo. É uma actitude humana e psicológica de quem deposita plena confiança nos dados e nos sentidos, quem julga conhecer as coisas como elas são, crença que não permite qualquer reflexão ou crítica sobre as coisas. O dogmatismo espontâneo é a posição ingénua do senso comum, pensar o contrário significa por em dúvida o conhecimento, e pode se dar o caso de aquilo que se crê ser falso.
b) Dogmatismo crítico
O dogmatismo crítico ou moderado surgem com Sócrates, quando os sofistas assumem uma posição céptica sobre a cerca do valor do conhecimento. Sócrates usando primeiro a dúvida, que corresponde a um momento necessário e prévio no processo do conhecimento verdadeiro, e vai chegar à conclusão que é possível conhecer verdadeiramente conhecer certas realidades. Este dogmatismo coloca o conhecimento intelectual acima do conhecimento sensível. O conhecimento sensível nos dá a conhecer as manifestações da realidade, essas estão em constantes mudanças com o passar do tempo, enquanto o conhecimento intelectual ou racional, dá-nos a conhecer a essência ou a natureza íntima da realidade. Cuja essência da realidade é imutável, por isso o seu conhecimento é absoluto. O dogmatismo crítico admite sim, a possibilidade do homem conhecer verdadeiramente conhecer certas realidades, neste conhecimento nem sempre é total e perfeito. Por isso exige que se faca um exame ceítico de toda realidade, incluindo as verdades básicas ou metafísicas. Aristóteles afirma “a dúvida é o principio da sabedoria”, pensamento esse ratificado por Descartes (1569 – 1650), acrescentando o conhecimento seria claro e seguro depois de uma analise anterior colocando tudo em duvida, pois só depois se poderá ficar apto a conhecer as verdades claras que se dão a conhecer ao espírito. E ainda considerou que a dúvida é atitude que todo filósofo deve ter, usando-o como método para alcançar a verdade. No mesmo fio de pensamento o filosofo Francês Claude Bernard (12-07-1803 – 10-02-1878), julga indispensável para um sábio o uso da dúvida, para ele a primeira condição que teve ter um sábio nas suas investigações é a dúvida filosófica.
Em suma o dogmatismo é uma corrente ou doutrina que admite com plena a possibilidade de a mente humana conhecer com plena certeza as coisas. Existem duas espécies ou subdivisões do dogmatismo: Espontâneo e Crítico. Onde que o dogmatismo espontâneo supõe que homem conhece os objectos tal como são, e que entre o conhecimento e a realidade existe um perfeito acordo. E o dogmatismo crítico, admite, sim, a possibilidade do homem conhecer certas verdades, mas esse conhecimento nem sempre é total e perfeito.
Cepticismo
Muitas vezes o dogmatismo se transforma em seu contrário, Cepticismo (do grego sképtesthai, que significa, testar, examinar, considerar), para esta corrente, o sujeito não é capaz de apreender o objecto, o conhecimento como apreensão do objecto é para esta teoria impossível.
Cepticismo, é uma doutrina ou corrente que considera a mente humana incapaz de atingir qualquer que seja conhecimento ou a verdade com certeza absoluta; é uma atitude pessimista ou negativa do homem na possibilidade do homem chegar ao conhecimento verdadeiro e absolutamente certo. Como corrente filosófica tem as suas raízes com os Sofistas no século V a.C., Os quais ao constatarem as controvérsias doa filósofos anteriores, concluíram de forma pessimista, que a verdade absoluta era inacessível. A título de exemplo, o pensamento de Parménides (530 – 460 a.C.) e outros eleatas (que negavam a mudança das coisas) e Heráclito de Éfeso (540 – 470 a.C.) que acreditava, e sustentava se encontra em constante mudança. Por isso, Pírron (360 – 270 a.C.), um dos grandes expoentes do Cepticismo no século IV –III a.C., afirma categoricamente que não devemos confiar nos sentidos nem na razão, mas duvidar de tudo até da própria duvida.
Argumentos ou fundamentos do Cepticismo
a) Os erros dos sentidos
Para os cépticos os sentidos estão constantemente sujeitos a ilusões e alucinações, factores esses que deformam as impressões captadas do objecto, sendo por isso fonte de erros.. Em certas circunstâncias os nossos sentidos nos mostram os objectos duma forma diferente da que possuem na realidade. Como confiar não sentidos se não são testemunhas falíveis? Pergunta o céptico.
b) Relatividade do conhecimento sensorial
As informações sensoriais à um mesmo objecto diferem de individuo para individuo, e por vezes, no mesmo individuo pode variar de acordo com as circunstâncias. A relatividade do conhecimento é mais um dos argumentos contra a existência de um conhecimento certo e absoluto das coisas.
c) A impossibilidade de demonstração
Porta tanto para o céptico cada prova exige uma prova e esta, outra ainda, até ao infinito. “Prova a tua prova” disto podemos concluir que nunca se poderá chegar a uma asserção que seja devidamente demonstrada para um céptico. Por isso não conhecemos tudo. Convém radicar que o cepticismo como doutrina filosófica na sua forma radical, duvida de tudo, e nada é verdadeiro. Essa posição é insustentável: se tudo é duvidoso, como diz o céptico, é igualmente duvidoso que tudo é duvidoso. Afirma o filosofo cristão Santo Agostinho (século IV-V): se a verdade não existe, é verdade que a verdade não existe, e, consequentemente existe a verdade, a verdade de a verdade não existir. Ou por outras se é verdade que nada que seja seguro existe, então é verdade que nada é seguro, por consequência disso, existe algo que é seguro, a verdade de que nada ‘e seguro.
A duvida céptica é definitiva, é uma conclusão e não um ponto de partida, ela é destrutiva e, como tal opõem-se a duvida metódica sustentada por Réne descartes. Por isso que Diógenes de Laércio (século III 180-240) afirma que: os cépticos passam a vida a destruir, os dogmas da outras correntes, e em contrapartida, não estabelecem nenhuma solução.
Criticismo de Emmanuel Kant
Criticismo de Emmanuel Kant também conhecido como criticismo Kantiano, resulta da diferenca entre a realidade como ela é (númeno), e a realidade tal como nos parece (fenómeno), tem como expoente Emmanuel Kant. De acordo com as reflexões de Kant, o intelecto humano não está estruturado de forma a captar as propriedades do númeno, o mundo das coisas em si, esse mundo não adapta aos esquemas do pensamento. Por isso, somente no mundo dos fenómenos, podemos falar da possibilidade do conhecimento da verdade, que é uma verdade humana, finita e não absoluta, baseada na experiência, que nunca é universal. Para Kant, o ser humano pode conhecer as coisas do mundo, das coisas materiais e jamais espirituais, como sustenta Platão quando divide o conhecimento em (sensível e supra-sensível “inteligível”). O nosso conhecimento produz verdades não absolutas porque dependem de experiencias vividas pelo sujeito cognoscente.
Pragmatismo
O Cepticismo é um ponto de vista essencialmente negativo, que significa a impossibilidade do conhecimento. Com o pragmatismo dá uma guinada para o positivo. Pragmatismo surgiu no século XX, nos Estados Unidos da América com William James, Charles Pierce e John Dewey.
Pragmatismo (do grego prâgma, que significa acção), o pragmatismo subordina o conhecimento a um fim prático, ao considerar que as ideias só são verdadeiras na medida em que nos permitem estabelecer satisfatoriamente uma relação como a nossa experiência. Consequentemente a verdade de um conhecimento mede-se pela sua utilidade (Utilitarismo). Em outras palavras é verdade aquilo que é útil ao homem. Considera-se pragmático aquele que adequa os conhecimentos aos fins práticos e obtém resultados úteis e progressivas.






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